Tapetes Persas

Postado por Ana Maria Paiva em 12/Feb/2013 - 1 Comentário

Não se sabe com exatidão quando e onde foram confeccionados os primeiros tapetes feitos à mão. Alguns atribuem aos egípcios, outros aos chineses e há até quem diga que teriam sido os Maias. Como os tapetes se originaram da necessidade dos povos nômades de se protegerem do frio, pode ser que na mesma época  cada um desses povos tenha desenvolvido sua própria técnica. No ocidente os tapetes são vistos como enfeites. Para os orientais, sejam ricos ou pobres, são vistos como mobília doméstica. Nas grandes salas de recepção, são usados como sofás, almofadas, cortinas e portas. Nas mesquitas são usados para oração. Nos acampamentos nômades são usados como protetores sobre as tendas e/ou no chão como assoalho.

Durante as longas viagens o povo nômade passava o tempo fiando a lã que seria usada na confecção dos tapetes. Durante as paradas a ocupação principal era o tingimento do tecido, tarefa realizada pelo homem, enquanto cabia às mulheres o tecimento do tapete. Os ofícios eram desenvolvidos em um processo de aprendizagem que iniciava já na infância.

Após anos utilizando lã em sua cores naturais, ou seja, em branco e em todos os tons de castanho, dados pela natureza à pelagem das cabras, ovelhas e camelos – as primeiras fontes de lã usadas nos tapetes -, os orientais concluíram que o colorido daria a seus tapetes o esplendor e a beleza dos tecidos.

Com a passagem do tempo, infelizmente, a maioria das fórmulas antigas foi perdida, mas ainda conhecemos as fontes básicas. Assim, todos os tons de azul, do ultramarino ao cobalto claro, vem do indigueiro (planta cujas folhas fornecem o índigo ou anil), o vermelho de  cerejas e cochonilhas (pequeno inseto de onde se extrai o corante cor carmim, usado em tintas ou aditivos alimentares) e também da garança, planta comum em todo o oriente cujas raízes produzem muitos tons de vermelho tijolo. O amarelo de vários arbustos e sementes, especialmente cúrcuma e açafrão. A hena, amplamente utilizada no oriente para tingir barbar e cabelos, oferecia um vermelho alaranjado escuro, enquanto o castanho vinha de galhos de carvalho e cascas de nozes. Essas eram as origens das cores básicas. Os diferentes tons eram obtidos pela mistura dessas cores, amarelo com azul, azul com vermelho e assim por diante.

O fator mais importante que influi na gama total das cores, entretanto, é a qualidade da água, determinada pela temperatura e pela pureza. A exposição ao sol durante períodos longos ou curtos e o número de enxagues da lã, tem um efeito decisivo na tonalidade das cores; e frequentemente os efeitos mais inesperados e encantadores não eram, na verdade, propositais, mas sim produzidos pelo acaso e por artimanhas da natureza.

A arte do tingimento, cercada de segredo em algumas famílias  era cuidadosamente transmitida de pai para filho, como herança exclusiva que não deveria ser revelada a estranhos. Algumas tribos cultivavam em segredo plantas destinadas apenas ao tingimento de lã. Esses processos tradicionais, algumas vezes, produziam resultados inesperados, razão pela qual algumas vezes ocorria o surgimento em um tapete, de faixas de um tom diferente, exatamente em um local, onde o padrão pedia a mesma tonalidade. São as chamadas “abrash”, que não são consideradas falhas como seria de se esperar. Ao contrário, elas, com suas variações de cor, trazem o encanto adicional do inesperado.

Atualmente, para avaliação de um tapete realmente antigo, o “abrash” é uma característica importante a ser levada em consideração para detectarmos a autenticidade do tapete, um dos dados que nos sugere que não é um tapete tingido com técnicas atuais.

Em breve, novos artigos sobre tapetes! Aguardem!

1 Comentário

  1. Rodel says:

    Muito lindo esse tapete beira de cama já comprei o novo fio trento que é lançamento.já quero saber se já enviaram para minha cidade Camaquã-RS pois to louca pra tecer belos conjuntos de banheiro com esse fio bjus.Margareth Dorneles

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